Esta chave não abre a porta do medo. É preciso: pular as paredes, quando é possível; recolocar as questões, quando é cabível. Exatamente assim. Esta chave, nem serviu nesta porta, uma porta tão comum. Foi deixada em um canto, jogada fora. Foi jogada em um canto do lado de fora de tudo que esconde esta porta. Achando-a, não me passou pela cabeça a idéia de guardá-la comigo. Já são tantas as chaves que suporto que só ocorreu-me deixá-la atrás desta outra porta, dessas duas que ocultam um outro espaço. Portas e interfaces de mundos paralelos, de mundos factíveis, mundos válidos. Penso aqui no quarto que a mais comum das portas dá acesso fácil, e penso também neste armário que agora é lugar de uma chave, sabe-se lá de que porta outra, qual fechadura, apta a movimentar que ferrolho? Enquanto escrevo, olho mais uma vez esta chave, que irá para um armário, no interior de um quarto onde nenhuma das portas disponíveis, aí distribuídas, podem ser abertas com tal chave. Só me cabe deixá-la. Não jogada em um canto qualquer. Não do lado de fora, mas sim dentro do armário, dentro, bem dentro, atrás das portas que a guardam. Mas guardar para que uma tal chave tão alheia a este espaço?
Gender:
Male
Social
Seeking:
Querid@s tod@s,
Sigamos, com gana, com alegria e felicidade, resistindo e transformando, criando espaços de liberdade e autonomia. Abraços!
leonardo
Looking For:
Friends
Relationship Status:
Single
Drinking:
Socially
Smoking:
No
Professional Information
Overview:
TORPOR
Leon bardo (L. R. P.)
O trem avança
Revitalizador de linhas mortas
(As lágrimas
Nada dizem da inundação
Nem do naufrágio
É o mar das palavras que afoga)
O trem avança
O outro se mostra
(São tantas mortes que vivi não sendo
Será que indo
Terei espaço para passos plenos?
Não posso olhar com esses olhos óbvios
Da visada sobre as coisas sobra
Incontinente esta visada excede)
O vulto tem por espaço a sombra
Permanece o que perdeu a cor
(As marcas ficarão
Irão os passos
Faço atenção aos pássaros
Espaço mínimo
Como chorar se posso sorrir
Como qualquer menino?
Ator por atordoado
Dou de ombros)
O trem avança
Alcança a outrem
Ao que tem a dor
Desafiador da linha-mestra
(Agráva-me a sombra dos escombros
Teu pôr atordoa
O vulto envolto pelo manto
O pó povoa o túnel
Sobre esforços
Narinas negam o fluxo
Atenta louca
A boca intenta a educação do movimento
Inventa)
Torpor atordoa
Estrondos
O som pesa sobre os ombros
Você troca os passos
O aço corta
O resto é saudade
Resto mundo pouco importa
O pássaro pousa
Fica uma pena
O resto é vontade
(Não é bonito o pôr do sol
Quando me abandonas
Lá nos escombros
Onde me escondo
Enquanto recomponho
O espaço inteiro
Venta
E espero teu cheiro)